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Amamentação durante a Gravidez e em Tandem: pode!?

Por: Prof. Marcus Renato de Carvalho, IBCLC, UFRJ

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Amamentação durante a gravidez e em Tandem: pode!?

 

*Hilary Flower, Dr.ª, Flórida, EUA

 

Traduzido por Isabel Martins Loureiro, Barreiro, Portugal

Adaptado para o português (brasileiro) por Marcus Renato de Carvalho, RJ, Brasil

 

Investigações científicas mais recentes respondem:

Será seguro amamentar durante a gravidez ou em Tandem (2 filhos em idades diferentes)?

Quando comecei a pesquisa para o meu livro, Adventures in Tandem Nursing: Breastfeeding During Pregnancy and Beyond, a minha maior preocupação foi debruçar-me sobre a questão da segurança.

Muitas parteiras, The Womanly Art of Breastfeeding, e outros recursos amigos da amamentação davam a sua luz verde. Afinal, muitas mulheres amamentaram durante a gravidez sem problema. Entretanto, os obstetras avisavam as mães, incorretamente, de que poderia causar perdas gestacionais e partos prematuros. De fato, ninguém podia apontar para investigação direta sobre a questão da segurança—simplesmente não existia.

Para dar a melhor resposta, arregacei as mangas e dediquei-me a ler a investigação médica sobre o hormônio ocitocina, sobre a sua secreção pela estimulação das mamas e o seu potencial para desencadear o trabalho de parto. O que encontrei foi bastante encorajador. Pouca ocitocina é liberada pela amamentação e durante a gravidez o útero fica como que “surdo” para a ocitocina. Um estudo descobriu que mesmo uma dose elevada de ocitocina sintética não é capaz de desencadear o trabalho de parto até que a mulher esteja de termo (Kimura et al 1996). Da mesma forma, o mito de que o sexo e o orgasmo podem induzir o trabalho de parto foi refutado, mesmo para gravidezes de termo (Tan et al 2006).

Entrevistei a Professora Lesley Regan, que dirige a clínica de perda gestacional recorrente no Hospital de St Mary’s, em Londres. Ela ficou surpresa por alguém sugerir uma ligação entre perda gestacional e amamentação e disse não haver base para que as mães grávidas desmamarem, mesmo que tenham tido uma ameaça de perda gestacional. A ideia com a qual estava convicta era a de que se a gravidez está saudável, a amamentação não a vai colocar em perigo. Se uma grávida que amamenta tem um parto pré-termo ou perda gestacional, provavelmente iria ter, mesmo sem amamentar. De fato, entrevistei para o meu livro mães que tiveram hemorragias ou sintomas de trabalho de parto pré-termo; enquanto algumas desmamaram por segurança, outras não o fizeram e acabaram por ter bebês saudáveis.

Na época em que o meu livro foi impresso, estes relatos ou indicadores indiretos foram o melhor que consegui encontrar. É gratificante verificar que agora, mais de uma década depois, a pesquisa cientifica debruçou-se sobre a importante dúvida acerca da segurança. Efetuaram-se três estudos clínicos separados e a amamentação foi afastada como causa de perda gestacional, baixo peso ao nascer ou partos pré-termo.

Investigação recente

Um dos estudos (Madarshahian e Hassanabadi 2012), do Irã, observou 80 mulheres que engravidaram enquanto amamentavam e 240 que não amamentavam. Os investigadores focaram-se nas gravidezes normais (excluindo as que tinham início como de risco), e não encontraram diferenças na taxa de incidência de problemas na gravidez, incluindo infeção, hipertensão e hemorragia. Mais, as mães que amamentaram durante a gravidez tinham a mesma probabilidade das que não amamentavam de ter partos de termo, evitando partos pré-termo.

Os investigadores concluíram:

“Este estudo apoia a posição de que a amamentação durante uma gravidez normal não está associada a riscos mais elevados para mães e bebês.

Sobrepor amamentação e gravidez é uma decisão pessoal das mães.”

Outro estudo clinico (Ishii, 2009), conduzido no Japão, observou 110 mulheres que amamentaram durante a gravidez e compararam-nas com 774 que não o fizeram. Este estudo descobriu que perda gestacional ocorreu em 7,3% e em 8,4% das gravidezes, respetivamente, uma diferença não significativa. O autor concluiu:

“Mesmo que a mãe esteja grávida, a amamentação deve continuar até que o desmame natural ocorra.”

 E comentou:

“A questão de proibir a amamentação durante a gravidez é um problema que precisa de ser ultrapassado. Devido ao preconceito e desconfiança, inúmeras crianças foram privadas do leite das suas mães.”

No Iraque, um estudo de caso controlado (Aldabran, 2013) foi conduzido durante um ano com 215 grávidas que amamentavam durante a gravidez e 288 grávidas que não o fizeram. A taxa de incidência de partos pré-termo e bebês de baixo peso não foi estatisticamente diferente entre os dois grupos. Estranhamente, a incidência de perda gestacional foi mais baixa no grupo da amamentação. A sua conclusão:

“A amamentação não aumenta o risco de perda gestacional ou partos pré-termo, nem afeta o peso ao nascer do RN.”

Mais recentemente, foi conduzido um estudo (Ayrim, 2014) na Turquia: 165 grávidas com gestações únicas que amamentavam uma criança anterior. Dessas 165 grávidas, 45 continuaram a amamentar enquanto 120 desmamaram. É de salientar que as grávidas que continuaram a amamentar ganharam menos peso que as que desmamaram, e mostraram diminuição de hemoglobina durante a gravidez. No entanto, entre os dois grupos não houve diferença estatística em hyperemesis gravídica, ameaça de perda, pré-eclâmpsia, trabalho de parto e parto prematuros, peso neonatal e escala de Apgar. Concluíram:

“Amamentar durante a gravidez não é perigoso e os profissionais de saúde não devem aconselhar o desmame se uma gravidez ocorrer, mas devem vigiar de perto mãe, bebê e feto para observar efeitos negativos e, se algum efeito negativo ocorrer, devem então tomar precauções.”

Comer por três?!

As descobertas dos estudos do Iraque e da Turquia sobre o peso ao nascer falam de outra grande preocupação associada à amamentação continuada durante a gravidez: será arriscado “comer por três”? Poderá fazer mal ao feto competir por nutrientes com a criança amamentada? Ou enfraquecer a mãe?

Há razões para acreditar que as mulheres em países desenvolvidos, com acesso a uma dieta variada, não precisam se preocupar com o mal que possam fazer a si mesmas, aos seus fetos ou à criança que mama. Controlar o aumento de peso na gravidez, uma dieta básica variada com calorias suficientes e uma ingesta suficiente de fluidos chegam para, na maioria dos casos, a mãe estar de fato a comer por três. Em alguns casos, suplementação de zinco ou ferro pode ser necessária, mas o compromisso de aderir a uma dieta perfeita ou um consumo excessivo de água não são desejados.

Mães malnutridas ou subnutridas estão em desvantagem quando tentam providenciar para um feto ou bebê amamentado, quanto mais para os dois ao mesmo tempo. Um curto período entre parto e uma nova gravidez, aumenta o esforço do corpo destas mães. Mais investigação é necessária para determinar os efeitos da suplementação nutritiva bem como dos fatores socioeconômicos das mães nestas situações.

As evidências estão aí e são mais fortes a cada ano que passa, de que amamentar durante a gravidez não apresenta riscos para as mães bem nutridas numa gravidez saudável. Igualmente forte é a evidência dos benefícios, quer físicos quer emocionais, da amamentação a longo prazo enquanto mãe e bebê assim o desejarem. Desta forma, a Academia Americana dos Médicos de Saúde de Família publicou uma declaração, em 2008, apoiando a amamentação durante uma gravidez saudável, enfatizando que o desmame antes dos dois anos pode aumentar os casos de doenças da infância (AAFP, 2008).

A Sociedade Italiana de Medicina Perinatal e o Grupo de Trabalho sobre Amamentação do Ministério da Saúde de Itália, conduziram uma revisão da literatura para “determinar a compatibilidade médica entre gravidez e amamentação.” Publicado em 2014, o seu relatório é a mais completa compilação da investigação cientifica relevante até hoje. Na sua conclusão, declaram:

“Deve ser reconhecido que, como um todo, as potenciais consequências negativas da amamentação durante a gravidez na saúde de mãe/embrião/feto/criança amamentada não são baseadas em evidências.

… Mesmo em países menos desenvolvidos, os riscos com a sobreposição da amamentação e gravidez parecem estar mais associados com a falta de nutrição suficiente para ambos mãe e criança mais velha, com o desmame abrupto e com o pequeno intervalo entre partos, do que com a sobreposição em si mesma.

…. Baseado no conhecimento atual, não há evidências médicas que indiquem que, na população geral, mulheres em idade reprodutiva estejam em maior risco de perda gestacional ou parto pré-termo se continuarem a amamentar enquanto grávidas. É também pouco provável que possa existir significativa restrição de crescimento intrauterino resultante da sobreposição entre gravidez-amamentação, particularmente em mulheres saudáveis e bem nutridas de países desenvolvidos.”

Está na hora de destruir o mito e deixar as mulheres tomarem decisões individuais e pessoais sobre amamentar durante a gravidez, bem como em outro momento qualquer.

Como sempre, as escolhas durante a gravidez e amamentação devem ser individualizadas. Com a continuação do seu percurso, cada mãe deve perguntar a si mesma: “Esta sobreposição é harmoniosa para mim? Sinto que está me fazendo bem?”

Enquanto considera estas questões, não deve estar sobrecarregada com o peso do mito de que está fazendo algo estranho ou perigoso. Se está a considerar amamentar durante a gravidez, ou está a aconselhar uma mãe que está a passar por isso, é importante ser acompanhada por um obstetra ou parteira que saiba considerar a investigação médica genuína sobre a segurança neste assunto, bem como a enorme quantidade de investigação sobre os benefícios da amamentação prolongada para a criança maior.

Bibliografia

Albadran, Maysara, M. Effect of breastfeeding during pregnancy on the occurrence of miscarriage and preterm labour. Iraqi Journal of Medical Sciences 2013; 11.3.

American Academy of Family Physicians (AAFP). Position Statement on Breastfeeding. 2008.

Ayrim, A. et al. Breastfeeding throughout pregnancy in Turkish women. Breastfeeding Medicine 2014; 9(3): 157–160.

Ishii, H. Does breastfeeding induce spontaneous abortion? J Obset Gynaecol Res 2009; 35(5): 864–868.

Kimura, T. et al. Expression of oxytocin receptor in human pregnant myometrium. Endocrinology 1996; 137: 780–785.

Madarshahian, F. and Hassanabadi, M. A Comparative study of breastfeeding during pregnancy: Impact on maternal and newborn outcomesJ Nursing Research 2012; 20(1): 74–80.

Merchant, K. et al. Maternal and fetal responses to the stresses of lactation concurrent with pregnancy and of short recuperative intervals. Am J Clin Nutr 1990; 52:280–88.

Tan, P. et al. Effect of coitus at term on length of gestation, induction of labor, and mode of delivery. J Obstet and Gynaecol 2006; 108(1): 134–140.

Flower, H. Adventures in Tandem Nursing: Breastfeeding During Pregnancy and Beyond. La Leche League International 2003.

Flower, H. Love, Limits, and Tandem NursingNew Beginnings, May-June 2003; 20(3): 86-90.

Karsyn Shalae (Foto do botton -  capa do site)

*Hilary Flower é a autora de Adventures in Tandem Nursing: Breastfeeding During Pregnancy and Beyond, LLLI 2003 e Adventures in Gentle Discipline, LLLI 2005. Vive com os seus 3 filhos ne Flórida, EUA.

 

 

 


Última atualização: 27/4/2017

 

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